
Tive o privilégio de ter pais que me ensinaram, desde cedo, a ouvir o tão temido
não quando o assunto é
finança doméstica: não aos produtos de marca, já que minha mãe costurava as minhas roupas e, caso eu quisesse algum item específico, tinha que caçar na Rua José Paulino com os R$100 que ganhava de Natal; não às mesadas, porque eu deveria trabalhar aos finais de semana limpando as cadeiras da pizzaria do meu pai para receber R$2,50 e comprar meus gibis da Turma da Mônica; não aos presentes fora de época, porque se eu quisesse ganhar algo, deveria esperar até meu aniversário; não aos banhos de mais de 5 minutos, caso contrário ouvia meu pai batendo na porta e gritando: "o meu dinheiro não é capim!". Os "nãos" que ouvi ajudaram a formar o meu caráter e me ensinaram algumas lições: aprendi que dinheiro não cai de árvore e que nada vêm de mão beijada.
Todos esses "nãos" também me ajudaram a desenvolver um certo
autocontrole em relação aos meus grandes gastos e a pagar mais caro apenas por aquilo que eu quisesse muito: foi assim com a minha guitarra, notebooks, câmeras digitais, a bateria eletrônica, vídeo-games, viagens, minha faculdade, as pós-graduações, cursos livres... Enquanto morava com os meus pais, consegui também fazer um pequeno pé-de-meia. O objetivo? Não tinha nenhum! Apenas transferia algo para o cdb mensalmente e esperava render... Essa grana, felizmente, me ajudou com os eletrodomésticos e mobília da minha atual residência, que paguei à vista e com um desconto bem bacana!
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Me Poupe! é canal no YouTube, blog e agora livro!
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| Dinheiro! Opa! Pra onde foi? |
Sinceramente, não me arrependo de nenhuma dessas compras ou investimentos! Mas, ao longo dos anos, percebi que os meus maiores problemas sempre foram os
pequenos prazeres do dia-a-dia, aqueles que na hora parecem bem insignificantes: roupas, comidinhas, produtos de beleza, revistas, brinquedos, itens de decoração, faxinas, uber... Aí você resolve colocar no papel e percebe que, tudo o que parecia ter um impacto muito baixo para o seu bolso, é o motivo pelo qual não sobra dinheiro no final do mês para investir com aquilo que realmente queria ou precisaria!
Passei os dois últimos anos bastante desesperada com a minha situação financeira, porque, pela primeira vez, entrei no cheque especial, não tinha mais um investimento de emergências para contar e comecei a dever mais de quatro dígitos. Mesmo ciente da minha condição, acabava não fazendo planos melhores para diminuir meus gastos e vivia uma vida que não poderia bancar. Lá vai um dos hábitos que desenvolvi nesses anos: chego cansada após um dia de trabalho, estressada porque não tenho dinheiro...