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16 janeiro 2019

📚 Estou no fundo do poço financeiro. E agora?

Tive o privilégio de ter pais que me ensinaram, desde cedo, a ouvir o tão temido não quando o assunto é finança doméstica: não aos produtos de marca, já que minha mãe costurava as minhas roupas e, caso eu quisesse algum item específico, tinha que caçar na Rua José Paulino com os R$100 que ganhava de Natal; não às mesadas, porque eu deveria trabalhar aos finais de semana limpando as cadeiras da pizzaria do meu pai para receber R$2,50 e comprar meus gibis da Turma da Mônica; não aos presentes fora de época, porque se eu quisesse ganhar algo, deveria esperar até meu aniversário; não aos banhos de mais de 5 minutos, caso contrário ouvia meu pai batendo na porta e gritando: "o meu dinheiro não é capim!". Os "nãos" que ouvi ajudaram a formar o meu caráter e me ensinaram algumas lições: aprendi que dinheiro não cai de árvore e que nada vêm de mão beijada.

Todos esses "nãos" também me ajudaram a desenvolver um certo autocontrole em relação aos meus grandes gastos e a pagar mais caro apenas por aquilo que eu quisesse muito: foi assim com a minha guitarra, notebooks, câmeras digitais, a bateria eletrônica, vídeo-games, viagens, minha faculdade, as pós-graduações, cursos livres... Enquanto morava com os meus pais, consegui também fazer um pequeno pé-de-meia. O objetivo? Não tinha nenhum! Apenas transferia algo para o cdb mensalmente e esperava render... Essa grana, felizmente, me ajudou com os eletrodomésticos e mobília da minha atual residência, que paguei à vista e com um desconto bem bacana!
Me Poupe! é canal no YouTube, blog e agora livro!

Dinheiro! Opa! Pra onde foi?
Sinceramente, não me arrependo de nenhuma dessas compras ou investimentos! Mas, ao longo dos anos, percebi que os meus maiores problemas sempre foram os pequenos prazeres do dia-a-dia, aqueles que na hora parecem bem insignificantes: roupas, comidinhas, produtos de beleza, revistas, brinquedos, itens de decoração, faxinas, uber... Aí você resolve colocar no papel e percebe que, tudo o que parecia ter um impacto muito baixo para o seu bolso, é o motivo pelo qual não sobra dinheiro no final do mês para investir com aquilo que realmente queria ou precisaria!

Passei os dois últimos anos bastante desesperada com a minha situação financeira, porque, pela primeira vez, entrei no cheque especial, não tinha mais um investimento de emergências para contar e comecei a dever mais de quatro dígitos. Mesmo ciente da minha condição, acabava não fazendo planos melhores para diminuir meus gastos e vivia uma vida que não poderia bancar. Lá vai um dos hábitos que desenvolvi nesses anos: chego cansada após um dia de trabalho, estressada porque não tenho dinheiro...