20 janeiro 2021

Das lições que aprendi em 2020

Dois mil e vinte não foi um ano fácil pra ninguém: foi um ano de medos, de incertezas, de muitas lutas, de ainda mais desgoverno, de descrença nas ciências (quando mais precisamos delas), de perdas de pessoas queridas e próximas, de isolamento social, de banalização de mortes (que continuam aumentando)... Foi um período de adaptações, onde fomos obrigadas(os) a nos adequar ao "novo normal" - que também gerou uma maior sobrecarga física, mental e emocional, afinal levou muitos a saírem de suas rotinas.

Eu com o meu Tokinho - não repara na sujeira ali da parede!

Não sou otária a ponto de ser grata por 2020 - tampouco contribuir para espalhar mensagens de positividade tóxica ou #gratiluz -, mas reconheço o quanto aprendi ao longo deste fatídico ano. Gostaria que fosse muito menos intenso e sem tantos sofrimentos (não apenas para mim)? Mas é óbvio! Infelizmente esses não foram pontos que pude controlar - daí, no meu caso, consegui os utensílios (reconheço meus privilégios) pra fazer caipirinha dos limões podres que a vida deu...

Diferente de muitos, pude trabalhar em regime de home office: algo positivo, pois fiquei em isolamento social e não coloquei a minha saúde e a daqueles que amo em risco. Mas esse contexto de ensino à distância, especialmente para educação infantil, vai contra tudo o que acredito: só que não havia muito o que fazer, não é? Além disso, tive a sensação de que trabalhei muito mais do que nos nove anos anteriores de magistério. Em parceria com minhas colegas de trabalho, procurei fazer o melhor que podia para me reaproximar dos pequenos e suas famílias. Senti muita falta das interações com as crianças, das brincadeiras, dos projetos, das bagunças, das palavras e gestos de carinho... Talvez isso, em certo momento, ajudou a potencializar a minha ansiedade: mas tenho a consciência de que é uma situação que foge do meu controle.

É no chão da escola que também exercito meu lado criativo, mas algo que queria fazer há muito tempo era encontrar um equilíbrio e me dedicar aos meus projetos pessoais - afinal não é só de trabalho que vive o homem (ou a mulher, neste caso). Assistindo a algumas fitas vhs de quando era criança e adolescente, refleti sobre o quanto gravar vídeos era tão tranquilo e natural pra mim: não gerava expectativas, registrava o que me dava na telha e estava sempre motivada a criar mesmo sabendo que somente eu iria apreciar. O importante aqui eram as memórias! E foi exatamente com esse objetivo que resolvi criar o meu canal do YouTube há 10 anos, não? Mas o perfeccionismo e as constantes cobranças, no decorrer do tempo, acabaram me aprisionando e fizeram com que, aos poucos, eu fosse desistindo.

Meu primeiro vídeo de 2021 e alguns desejos!

Gravando o último vídeo: sim, o short é meu
pijama!
Sem pauta ou roteiro, sem preocupação com maquiagem e cabelo, sem elaborar todo um enquadramento ou iluminação, peguei a câmera digital (que estava há anos criando teias de aranha) e resolvi recomeçar a gravar. Simples assim! Como dizem, o mais difícil mesmo foi começar! E foi o melhor que eu poderia ter feito, já que a atitude me impulsionou a continuar me dedicando àquilo que gosto de fazer, sem comparações com outros e muito menos a criar tantas expectativas - é claro que muitas surgem ao longo do caminho, não vou negar, mas fui aprendendo a não me cobrar tanto. No fim do ano, consegui publicar um total de 73 vídeos (muito mais do que a soma de todos os outros 9 anos) e o Fala, Prô! foi outro projeto que, com uma amiga muito querida, resolvemos também recomeçar - atualmente conta até com colaboradoras! 😍

Há anos que não passava tanto tempo em frente às telas como em 2020: sendo assim, decidi que começaria também a fazer um jejum de redes sociais no restante do tempo livre. Consequentemente os momentos de procrastinação diminuíram bastante e me dediquei a ler mais (foram 23 os livros lidos no total) e a assistir filmes e séries (como já fazia antes). Tinha como desejo utilizar também essas leituras e produções audiovisuais como um gancho para gerar conteúdos para internet (tanto aqui pro blog como pro vlog), mas resolvi que naquele momento não seria tão bacana: fiz desses os meus momentos de mero lazer e foi bem gostoso!

Por falar em equilíbrio, aprendi também a me respeitar: a respeitar as minhas vontades, os meus sentimentos, a minha energia, o meu humor, os meus posicionamentos, as minhas percepções e os meus princípios. Por anos ouvia que eu não deveria me expor tanto, que as pessoas acabariam me julgando e que seria muito difícil de lidar com tudo isso... Mas quer saber? Percebi que era muito mais difícil (e errado) me calar, especialmente diante de situações de preconceitos e intolerâncias. Mas aqui aprendi também a filtrar algumas brigas e ver pelo quê valeria a pena mesmo lutar. Não me importo de receber qualquer tipo de estigma ou julgamento, desde que fiz tudo o que achava ser certo: assim posso sempre colocar a cabeça no travesseiro tranquilaça!

Todas essas aprendizagens não seriam possíveis sem interações. Mesmo à distância, notei que me aproximei muito mais de algumas pessoas queridas e conheci outras também maravilhosas: é bem piegas, mas não sei o que seria de mim se não fosse por todas elas (não listarei por medo de me esquecer de alguém). 💖 Foram pessoas que me ajudaram a ter esperanças: não no sentido de sentar e esperar, como diria o mestre Paulo Freire, mas de esperançar, de não se conformar, de continuar lutando. O Conrado, meu companheiro, também entra nesta lista: aprendemos a conviver melhor, a passar um tempo de qualidade juntos e a respeitar (ainda mais) o espaço do outro.

Eliminando essas minhas aprendizagens (em que considero apenas o meu próprio umbigo), que ano bem bosta que foi 2020, hein! Começamos 2021 com um pingo de esperança (a aprovação da vacina e saída do Trump são exemplos), mas não devemos nos esquecer de tudo o que vivenciamos e o que perdemos: que todas essas tragédias nos sirvam de lição para continuarmos caminhando e superando obstáculos juntas e juntos.

2 comentários:

  1. Eu tenho gostado cada vez mais de conteúdos mais espontâneos. Tudo acaba sendo editado (fato!), mas conteúdo nesse estilo conversa, bate papo, são os meus preferidos!
    Acho que durante a quarentena, fomos praticamente obrigados a olhar para dentro, nesse processo também vi o quanto produzir conteúdo e me dedicar aos meus projetinhos era importante para mim, mas naquele momento estava me fazendo mal, acho que por isso resolvi me afastar um pouco, repensar e recomeçar com os pés mais no chão. HUNFF 2020 foi difícil... e 2021 já está começando na mesma pegada, mas temos um fiapinho de esperança. Acho que quando meus familiares de risco estiverem vacinados conseguirei soltar o ar que venho prendendo desde que o caos começou. A gente vai fazendo o nosso melhor, né?
    Um beijo!

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  2. Suas postagens são ótimas, estou seguindo seu blog e curtindo bastante!! Parabéns!

    Meu Blog: 15 Pontos na lotofácil

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